quinta-feira, 17 de agosto de 2017

No meio de tanta laranja...





   Às vezes perguntam-me se não é difícil escrever tendo por base laranjas...É e não é. Às vezes é só difícil escrever; Escrever sobre laranjas, escrever para laranjas, escrever a comer laranjas. Olho para elas nas árvores e no supermercado, quando vou apressada, e penso nesta folha branca e em como está branca há tanto tempo. Depois sinto-me como uma laranja enrugada, esquecida na fruteira...que depois ninguém a quer e acaba por ir para o lixo. Estava aqui a pensar como às vezes nos esquecemos das coisas, das pessoas, das laranjas. Sem sentido, sem motivo. Sem mal. No outro dia cortei laranjas e limas para fazer sangria e lembrei-me desta folha branca. Lembro-me sempre...
...mas sabem...? Às vezes não consigo equilibrar a balança. Há laranjas mais pesadas que outras.          Umas que fazem eco na nossa cabeça, outras no nosso coração...e quando elas se cruzam dá só mesmo uma folha em branco.


Mas...nunca me faltam as laranjas e o sumo de laranja.

Ana Marisa 

terça-feira, 11 de abril de 2017

XI





Ter o copo meio cheio e meio vazio é sinónimo de ter sempre espaço para o encher e ao mesmo tempo o esvaziar. Mesmo se usares sempre o mesmo copo podem ser precisas várias tentativas para acertar na quantidade de sumo que deves por para que o copo fique meio cheio, meio vazio. Porque às vezes uma laranja tem sumo para um copo cheio e outras vezes meia laranja já o faz transbordar. Experimenta. Não vai acertar à primeira, mas também não desistas porque sumo de laranja faz bem e com este calor apetece. Mas lembra-te: deixa sempre um espaço para o encher e ao mesmo tempo para o esvaziar. Porque nunca sabes o que vem aí...e pode ser melhor e mais doce. Se for, enche o copo. Se não for, bebe o que já tens e espera. Espera e tenta acertar de novo na medida. E se for preciso...muda de copo. Quero dizer que esse meio copo que tens agora é isso mesmo: o agora. Saboreia-o da melhor maneira. Está bem?


Há sempre um propósito para a metade; Seja de sumo ou de outra coisa qualquer. 

Ana Marisa

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A minha mãe comprou tangerinas







Não me lembro da última vez que escrevi nesta folha branca, mas sei que foi no início deste ano. Já passou muito tempo. Provavelmente nessa altura ainda tinha laranjas ou afins na fruteira, agora a fruta é outra. Não é que seja pior, é só diferente. As sensações que tenho também são diferentes desde a última vez que escrevi aqui nesta folha branca. Já passou tanto tempo. Já estive noutros lugares, já conheci outras pessoas, já comi outras frutas, já provei outras laranjas. Azedas. Doces. Com caroços, sem caroços. E tinha uma laranjeira por onde eu passava todos os dias, lá no jardim do Liceu cor-de-rosa, que não me lembro o nome agora. Era o colégio da barra. Alguém se lembra do colégio da barra? A fruta lá era outra...eram Morangos com Açúcar. Isto tudo para vos escrever que a minha mãe decidiu comprar tangerinas. E veio-me à memória esta página branca onde vos escrevo agora. As laranjas estavam diferentes hoje, tinham um sabor diferente. O tempo passa, nós amadurecemos. 

Que as laranjas nos lembrem sempre o sítio onde um dia fomos felizes. 


Ana Marisa