terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Que nunca nos faltem as laranjas






    Ter conta, peso, medida e laranjas. Quem tem laranjas, tem tudo. Tem sumo, tem fruta, tem torta de laranja, tem aromas, cheiros. Até dá para fazer poesia com laranjas, mas isso são outras andanças. 
    Às vezes esquecemo-nos do mais importante porque andamos por aí numa correria, sem parar para pensar, observar, sentir, descansar. As laranjas são coisas simples, achamos nós, mas a maior parte das vezes comemo-las a correr, nem as saboreamos, nem as cheiramos. Que nunca cometamos o mesmo erro com as pessoas. Sim...há que as comer, saborear e cheirar ou acham que não? Mas para isso, abrandemos o ritmo, aproveitemos as coisas boas, simples, que a vida nos dá. Como aquela laranjeira à beira da paragem do autocarro...aquela que "ninguém dá nada pelas suas laranjas". Vamos à descoberta? Haverá lá algo mais desafiante que chegar ao fim da meta? Que 2016 seja só um pretexto para saborearmos mais as coisas. 



Porque uma laranja, nunca fez mal a ninguém. Nem (a) uma pessoa.

Ana Marisa 


terça-feira, 8 de setembro de 2015

A laranja mais alta da árvore



    Sempre achei que as melhores laranjas estavam no topo das árvores, sempre me quis esforçar para as apanhar. Às vezes nem sempre dei valor aquelas que já tinham caído...às tantas fiz mal. Nem sempre apanhei aquelas que estavam mais ao meu alcance. Fui apanhando uma laranja aqui e outra acolá até chegar aquela que eu queria. Aquela que tanto namorava. Talvez por toda a gente dizer "não vais chegar lá, está muito alta", "és muito baixinha, não vais conseguir apanhá-la". Gosto de apanhar laranjas que estão no cimo das árvores e gosto de ter sempre uma mais alta para apanhar.       Quem disse que elas estão lá em cima para se esconder de nós é porque nunca tentou mesmo ter força para as apanhar. Leva-se o cesto cheio de nada e volta-se com o cesto cheio de tudo, se quisermos. Se amarmos o que fazemos e o quisermos fazer bem e sempre melhor. Sem nunca desistirmos. Sem nunca deixarmos de tentar chegar ao cimo da árvore. Sem nunca deixarmos de tentar pegar naquela laranja que tanto nos faz querer comê-la e saboreá-la. 

Que as laranjas nunca acabem

Ana Marisa 

terça-feira, 31 de março de 2015

Melodia cor de laranja





    Já ouvi mil e uma músicas, já naveguei por todas as páginas dos favoritos. Já limpei a caixa do e-mail. Até já me registei naquela operadora de telefone, televisão e internet que tenho em casa - quero receber a fatura electrónica, para não cortarem mais árvores por minha causa. Será que cortam laranjeiras? Enfim. Até já remexi nas coisas antigas que tinha cá em casa. Não gosto de não conseguir começar a escrever, mas a coisa depois desenvolve bem. Acho eu. Espero eu.
    Venho aqui e abro esta página branca. Imagino duas laranjas a dançarem enquanto toca esta música. Não acho que seja a melhor melodia para imaginar duas laranjas a dançar mas acho-a sensual. A melodia. Enquanto isso, tento aprender uns passos de dança, só para desenrascar. E porque acho sensual. A melodia. E dançar com laranjas. Acho que quero mesmo muito. Estas aqui desta página branca olham muito uma para a outra, trocam olhares que só elas sabem o que significam, descascam-se por dentro, bebem o sumo uma da outra. Espremem bem, tiram os caroços, olham-se mais uma vez. Sorriem. Sabem que não são bem uma da outra, mas dançam. Dançam muito. Vão dançando. Olham-se mais uma vez e a página já está meia escrita. 

Abrem a pista de dança mais uma vez...da para a próxima vez. 


Ana Marisa